quinta-feira, 26 de março de 2009

O Tempo do Guinho

Ontem fez catorze anos que nosso amigo morreu. Mas hoje é que bateu uma saudade insuportável dele, do tempo dele. Podemos classificar um período da nossa história como "o tempo do Guinho".

Muita gente nem sabia o seu nome, o apelido era suficiente para identificar o cara mais legal que conhecíamos. Muitos o consideravam o melhor amigo, mas acho que ele considerava todos melhores amigos, cada um ao seu tempo. O cara era especial, conquistava o amor de todas as mulheres, a admiração de todos os caras. As crianças gostavam dele e os pais e avós cuidavam dele como se ele fosse deles também. Não era o mais bonito, nem o mais arrumado, não tinha grana e nem segredos. Era só o mais legal.

Não namorava, não podia doar muito do seu tempo a uma pessoa só. Tinha lá os seus problemas, não gostava de falar do seu pai. Era inquieto.

Parecia que sabia que tinha pouco tempo nessa vida. Curtiu tudo muito intensamente.

Até hoje é lembrado nas nossas rodas de conversa. Todo mundo tem uma história legal na qual ele figura de forma relevante.

Acho que poucas são as pessoas que conseguem se manter tão presentes assim na vida de tanta gente depois de tanto tempo.

Apesar de não nos honrar mais com sua presença física, pode ter certeza, ainda é um dos nossos.

Tenho certeza que estás num lugar muito especial.

Sentimos sua falta.

Sem tchau, sem adeus, sem aperto de mão.

Só aquele: - "Valeu!"

quarta-feira, 25 de março de 2009

O Rio de Janeiro e suas favelas cinematográficas

Na mídia escrita só dá Rocinha, Ladeira dos Tabajaras, Santa Marta. No noticiário da TV também.
E sabeo que essas favelas tem em comum além das valas a céu aberto a da "vagabudagem" sem fim? - Elas ficam na zona sul da cidade, dividindo espço com os endereços mais quentes, com os IPTU´s mais caros.
Eis o motivo de tanta exposição na mídia, tanto projeto social que não dá em nada, tanto "direitos humanos" e o pior, tanta falta de providência.
Agora eu pergunto o que é preciso para uma favela, que não seja fincada no meio da zona sul, receber o amparo do poder público ou, até mesmo, a atenção da mídia? Torturar jornalistas? Sei lá.
Isso é um absurdo. As favelas da zona oeste vivem em guerra e ninguém faz nada. É inimigo, é milícia, é caveirão, é criançamorrendo dentro de casa na Vila Vintém, é tiro a ermo. O que falta? Cadê o carro da emissora de TV? Cadê a internet grátis? Cadê o Criança Esperança? Cadê a Ação Global?
Só tem vagabund trocando tiro com a polícia. Só que isso acontece a mais de trinta quilômetros do centro da cidade.
Pra acabar, só mais uma perguntinha: - Quais foram os três milagres que o "Dona Marta" fez pra transformar em Santa?


João Vicente Teixeira Lacerda

segunda-feira, 2 de março de 2009

Cadê a minha turma?


Cadê todo mundo? Cadê a minha turma? Todos foram embora e esqueceram de apagar as luzes. Todo mundo casou ou teve filhos ou os dois até. Alguns se mudaram outros simplesmente mudaram. Eu mudei também.

Mas dá saudades, das tardes tediosas que pasamos juntos, das aventuras que nem eram tão fantásticas assim, das noites cheias de expectativas e cheias de frustrações, das paqueras, das conquistas e derrota e os pores.

Cadê todo mundo? Alguns morreram. Minha turma teve diversas baixas por acidente. Os carros e motos tão cobiçados na adolescência, levaram alguns dos mais queridos da turma. Choramos muito a falta deles.

O tempo passou para todo mundo, o dia ficou bem mais curto. Não temos tempo para a nossa turma. Não somos mais tão amigo assim.

Todos nós sentimos saudade, mas não fazemos nada para matá-la. Quem tem tempo?

Cadê a minha turma? Ficou na vaga lembrança de todos nós, mas isso quando temos tempo de lembrar.

É uma pena.

Lembranças


Dia desses estava nos arredores da Tijuca fazendo hora e me pus a ler o jornal na Praça Saens Pena. Era de manhã bem cedo e o dia estava lindo, sol e temperatura agradável. Muitos idosos na praça e algumas crianças acompanhadas dos pais e de repente um flash na minha cabeça: Uma mãe com uma filha de uns nove anos de idade e um filho, de no máximo, cinco anos apareceram bem na minha frente com um saco de milho nas mãos para dar aos pombos. Eu lembro perfeitmente de um dia em 1981 que a minha mãe fez o mesmo comigo. Não era Saens Pena, er Cinelândia. Não era ontem, já se passara vinte e sete anos. Que saudade daquele tempo, daquele dia. Tive uma infância muito feliz. Tenho uma mãe fantástica, a melhor do mundo. Agradeço até hoje a oportunidade de ter jogado milho aos pombos da Cinelândia, às cutias do Campo de Santana e tenho certeza que essas crianças também serão gratas.

domingo, 1 de março de 2009

A falta de profissionalismo e a propaganda enganosa

Por acaso você já comprou alguma coisa que na embalagem viesse escrito "kit completo" e quando aberta fosse constatado que falta algum item? É, meus caros, os kits completos de hoje em dia não são tão completos assim.
E quando você chega a uma loja e é recebido com um tapete vermelho, juras de dedicação, tratamento vip e sorrisos radiantes, muito legal. Aí, você fecha a compra, PAGA e pronto, o cenário é desfeito no ato. A entrega atrasa, um dos itens vendidos não existe mais, não se devolve o dinheiro, o sorriso do vendedor se transforma em olhar fulminante, e tudo isso financiado por você.
Isso é uma pouca vergonha. Uma afronta ao consumidor. É por isso que os PROCON´s estão lotados.
Tá na hora da defesa do consumidor ser mais ostensiva. Chega de aturar espertinho.

Saudade do caju

Hoje eu acordei bem cedo
Coração apertado, uma saudade
Saudade diferente
Saudade de um gosto
Gosto de caju
Num sábado de verão
Bastante sol e bastante chuva
Daquela que passa logo
E não deixa tristeza
Que saudade
Saudade de quinze, vinte anos atrás
Saudade do banho de chuva
Do caju caído no quintal
Saudade do meu pai
Do sorriso fácil da minha mãe
Da inquietude das minhas irmãs
Saudade da minha infância
E daquele copo de suco de caju
Bem gelado que minha mãe trazia.

O Big Brother Brasil e a idiotização da tv aberta

Ta bom, eu sei que o tema é mais que batido, mas também estou cansado de baterem na minha cara com esses “realyties” da vida.
Agora eu lhes pergunto: - Qual é a graça de assistir ao dia-a-dia de um bando de pessoas que você nunca viu ou ouviu falar na sua vida?
Temos que viver a nossa própria vida, se ela é sem graça, coloquemos tempero no cotidiano. Está tudo na cabeça, é só procurar.
Viva a sua própria paixão ao invés de torcer pelos romances de desconhecidos. Brinque com os seus amigos e deixe pra lá os joguinhos dos outros. Saia de casa, levante do sofá, economize energia elétrica lendo um livro, mesmo que seja emprestado, e conheça a sua própria cidade. Não custa nada. Recicle o seu lixo, estude mais, fale com os seus parentes e faça caminhadas.
A vida só é boa quando fazemos dela assim, seja grato pelo que tem, se não tem tudo o que quer, faça por onde conseguir. De maneira lícita e com ética, é lógico.
Torne-se uma pessoa melhor para você mesmo e para aqueles que estão ao seu lado. Cuide dos animais. E por fim:
Tome conta da sua vida.

A necessidade de ser um Super-homem

Nasci numa familia boa, pobre, mas sem privações. Fui bem educado, muito amado e, o mais importante, bem orientado. Pai militar, machista, marxista, mas nunca rude ou grosseiro. Minha mãe dispensa comentários, abdicou a própria vida em prol da familia. A melhor de todas. Duas irmãs mais velhas, diferentes entre si, boas irmãs.
Cresci envolto de expectativas, o homenzinho da casa, o temporão, o preferido do pai e tudo mais. Quanta responsabilidade.
Sobrevivi, mesmo com todas as dificuldades me formei e trabalhei. Trabalhei e trabalho até hoje e vou trabalhar mais dezoito anos. Não tenho dinheiro, mas nunca fiquei desempregado. Errei sim, mas consertei tudo e segui em frente.
Então surgiu o amor, tive que me tornar uma pessoa melhor para conquistar a amada. Mulher exigente, não precisa de mim e nem de nada que eu possa oferecer, mas quer o melhor para si e isso inclui o homem ao seu lado. É difícil, erro muito, aprendo e sigo em frente.
Os amigos admiram ou invejam, existe competição. Existe cobrança. Um emprego melhor, um carro melhor, uma casa e até a aparência. Tudo é julgado.
Ainda não tenho filhos, mas sei o tamanho da responsabilidade. Além de ter que cuidar de um ser totalmente dependente de você e que você ama mais que a si mesmo, ainda existe a sombra do seu pai. Tentar ser um pai melhor que o seu foi para você deve ser uma tarefa quase impossível. Principalmente quando você acha o seu, o mais perfeito do mundo.
Só sendo super-homem para conseguir tais façanhas. E se por acaso surgir essa tal criptonita, só resta ignorá-la, pois quem tem tempo para uma bobagem dessas?

O Rio de Janeiro e a cultura do lambe-lambe


Um dia desses acordei mais tarde que o eventual. Tive que me arrumar correndo para não chegar atrasado ao trabalho. Peguei o carro, pois depois das seis da manhã o trem fica impraticável, e caí de corpo e alma no engarrafamento nosso de cada dia, coisa de carioca. Liguei o rádio e me pus a pensar na vida, só amenidades, nada de muito importante. Acho que era um quarta ou quinta feira. Num daqueles momentos de “anda e para” virei para o lado e avistei um muro enorme lotado de lambe-lambe de ponta a ponta. Pronto, em alguns segundos surgiram várias vertentes de boa diversão para o fim de semana.
Acho interessante essa profusão de cores que se espalha por muros e compensados, antes feios e descascados, na cidade.
Um viva e três salvas de palmas ao lambe-lambe, poluição visual é você VER caminhão e ônibus com selo de vistoria em dia expelindo fumaça preta pelas ruas, pessoas urinando embaixo de viadutos e babaquinhas de terno e gravata jogando panfleto no chão em pleno Largo da Carioca.

Minha Internação

No início do ano fui internado. Peguei uma virose louca que me fez ficar amarelo (logo eu que sou negão) e com o fígado do tamanho de saturno, quarenta graus de febre que, no ápice, me deixava com tanta dor nas articulações que eu não conseguia nem andar. Uns falaram que era hepatite, outros, leptospirose, até dengue foi cogitada e macumba também, todos os exames deram negativo e acabei melhoraram. Foram longos cinco dias na cama do hospital, soro na veia, dor e solidão. Saudade de casa, da família, da minha branquelinha. Enfim tive alta, aparentemente tudo normal, cheguei em casa, deitei na minha cama, comi uma comidinha gostosa, assisti a minha televisão, mas o meu braço começou a inchar, ficou igual ao do Hommer Simpson. Peguei uma tal de flebite, inflamação nas veias devido a má administração do soro nas tais. Passei dois dias em casa e voltei a ser internado. Porra, fiquei sem chão. Completamente pra baixo, queria trabalhar, sair, beber, dirigir, ver gente. Fiquei mais cinco dias internado, fi um pouco mais light, não tinha dor, só angústia.
Fiquei com uma cara horrível. Sei que em gente que passa por coisa bem pior, mas uma coisa é certa, numa cama de hospital é onde aprendemos na marra o valor de ser saudável. Mesmo que esqueça depois com o tempo.
Aqui vai uma idéia: - Dê valor a vida, que por mais que você a ame, a morte sempre irá te namorar.

Infancia roubada

Hoje presenciei uma coisa muito chata de se ver. Passei por uma criança de, no máximo, sete anos e percebi em uma de suas mãos uma caixa de mariolas para vender e na outra um sanduíche que ia sendo mastigado enquanto ele andava e uma sacola plástica com uma quentinha dentro.
Agora vamos partir para o campo das especulações. Para quel ele estaria levando aquela quentinha, já que estava comendo um sanduíche? O que uma criança daquele tamanho estava fazendo na rua aquela hora com uma caixa de bananadas na mão? Tentando sobreviver? Não, porra. Aquela criança estava sendo explorada por um desgraçado de um adulto, que pode ser pai, mãe, avô, irmão ou tutor, não importa.
Com tanto bolsa-escola, bolsa-isso, bolsa-aquilo, o que uma criança dessas ainda faz fora da escola. Será que os pais dela, por mais miseráveis que sejam, não vêem que estão a condenando a essa mesma miséria? Cadê o instinto paterno, a proteção animal?
Lugar de criança é na escola. Roubar a sua infância é a maior covardia.

A Indignação e a Indiferença

Num sábado qualquer, eu e minha namorada pegamos um trem do subúrbio da Central do Brasil. Rio de Janeiro. Eu, carioca da capital e morador da Zona Oeste. Ela, criada na região serrana, lugar onde as pessoas ainda se cumprimentam na rua mesmo sem se conhecer. Lugar bucólico, lugar diferente. Voltando ao trem. Durante o trajeto entraram vários ambulantes vendendo desde balas até brinquedos inusitados, mães com seus quatro ou cinco filhos, uma mãe com seu filho de uns dez anos de idade, voltando da escolinha de futebol com um sorriso estampado no rosto, algumas figuras bizarras e pedintes. No meio da viagem entraram dois meninos de cerca de onze anos de idade cada. Iniciaram sob os olhos curiosos e admirados de todos, inclusive do menino jogador de futebol, um número de equilibrismo com bolinhas, um no ombro do outro, em pleno trem em movimento a troco de qualquer trocado. Um show e tanto se não fosse por pura falta de opção, pura necessidade. Eu, agindo naturalmente, sorri levemente, abri a carteira e dei algumas moedas aos meninos, como se fosse uma coisa normal só por ser comum nos subúrbios cariocas. Foi quando olhei pra minha namorada e vi as lágrimas escorrendo de seus olhos. Tão triste e tão indignada com aquela cena e não entendendo a minha naturalidade diante aquele quadro pintado com as tintas da desigualdade social. Tentei ampará-la, na hora ela pediu que eu escrevesse e postasse sobre esse tema, e pediu que eu traçasse um paralelo entre aquele menino com roupa de jogar futebol acompanhado da mãe e os meninos equilibristas. Todos compartilham a mesma realidade pobre, a única diferença é que enquanto um tem o apoio da mãe para viver com um pouco de dignidade os outros vivem se equilibrando sem o apoio dos pais na corda bamba social. Cá estou eu a atendê-la. E rezando para que o próximo prefeito consiga reverter esse quadro de desigualdade. E que Deus nos ajude, ainda mais que vivemos na cidade da "aprovação automática" onde se elege vereador em prisão temporária.

Auto Salvação

Hoje em dia se fala muito em salvar o planeta. E eu até acho muito bonito isso. Consumo consciente, protesto daqui e dali, greenpeace e tudo mais. Mas e na prática?
Todo mundo se revolta quando vê um desgraçado de um japonês lá do outro lado do mundo matando uma pobre e indefesa baleia, e é revoltante mesmo. E o que você faz?
Uns contribuem com uma quantia, irrisória ou não, com o greenpeace ou outro green desse qualquer e joga uma pet de 600 ml pela janela do carro. Outros dão dinheiro pra Suipa e enxotam um vira-latas na esquina. Que porra é essa? Onde é que as pessoa estão com a cabeça?
Um dia desses choveu, e nem foi uma chuva tão forte assim, um desses rios que cortam favelas, o que é comum na cidade do Rio de Janeiro, transbordou e alagou algumas casas. O que se via era uma quantidade enorme de garrafas pet, alguns poucos galhos de árvores e uma infinidade de objetos curiosos como um bule de café, um sofá de três lugares e uma antena dessas de tv paga. Todos os objetos jogados pelos próprios moradores da favela que foi alagada. Engraçado, né? Se não fosse catastrófico. E sabe o pior? Essas pessoas irão se lamentar, mendigar ajuda, praguejar todos os santos e afins, culpar o Estado, e por fim, continuar jogando lixo no rio.
Temos que salvar o planeta sim, mas para isso temos que salvar o homem primeiro. Salvar dessa falta de educação sem fim, desse egoísmo que acaba com o bem estar coletivo. Não é tão simples e passa bem longe de ser impossível.
Acho que, já que estamos próximos das eleições municipais, podemos começar a pensar mais nisso. Pra salvar o mundo temos que começar salvando o nosso quintal e depois ajudar o nosso vizinho a salvar o dele. A educação é o ponto de partida para toda e qualquer melhora em nossas vidas.